
Há algumas semanas havia comentado com colegas de mercado que em julho seria muito provável que tivéssemos alguma reação por parte das bolsas ao redor do mundo. Motivo? Basicamente resultados corporativos.
Se observarmos o histórico das bolsas ano após ano veremos que se trata de um movimento comum. E por que isso ocorre? É simples. Mesmo em anos de crise como em 2008, em que o mercado vinha em franca queda, pudemos notar um movimento de lateralização, com leves repiques e o mercado se segurando nesse período entre julho e agosto. Por mais que dados econômicos estejam negativos e não tão alentadores ao mercado, se os resultados trimestrais das empresas são positivos, o mercado reage positivamente.
O mercado é psicologicamente altista, ou seja, por mais que tenhamos analistas e investidores apostando na queda, em sua maioria todos esperam alta no longo prazo.
Esse ano não foi diferente, mercado vinha em um movimento forte de realização de abril para cá e em meados de junho começou a ganhar força altista, já antecipando os resultados das empresas, que em sua maioria tinham expectativa positiva.
Um exemplo clássico disso está sendo o pregão de hoje (17/08). Enquanto indicadores econômicos nos EUA não vieram muito animadores, empresas como Wal-Mart, Home Depot e Carlsberg apresentam fortes resultados trimestrais. Isso anima os investidores e mostra que apesar de macroeconomicamente estarmos com as pernas fracas, as empresas estão trabalhando à todo vapor.
Com base nisso tudo, fica o alerta a partir de agora. Os resultados trimestrais estão chegando ao fim. Agora somente próximo do final do ano teremos nova bateria de resultados, estamos à mercê das economias mundias, dados sobre balança comercial, produção industrial, mercado de trabalho, políticas cambiais, enfim, o cenário macroeconômico volta a pesar com mais força nos mercados.
Portanto, vamos ficar com os olhos bem abertos e manter a cautela frente essa alta do mercado baseada em resultados. Podemos ter ainda alguns fatores extra-mercado, como dados específicos de empresas grandes, tal qual a novela Petrobrás, em torno da sua capitalização, e também das eleições.
Vale a pena lembrar, por mais que tenhamos bons resultados hoje, o mercado sempre tenta projetar o futuro, e ele é imediatista. Qualquer sinal, por menor que seja, de que as coisas não estão tão bem quanto imaginamos, os rumos podem se alterar rapidamente.
Atenciosamente.
Nenhum comentário:
Postar um comentário